por Merlin em 10 Mar 2010, 15:44
CYBERHARRY.COM.BR 5.0
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Caro orientador,
Tenho duas coisas importantes para dizer.
A primeira delas é meu pedido de desculpas por ter ficado tanto tempo sem enviar uma mensagem ou sinal de vida. Sei o quanto você ficou nervoso e preocupado com isso. Vi suas mensagens chegando pelo telementor, porém não pude respondê-las. Meu telementor portátil apresentou uma falha desde aquela última mensagem e, como você deve imaginar, aqui em Tirana não há quem saiba consertar esse instrumento. Ele recebia, mas não transmitia. Tive que improvisar.
Apesar disso, ontem consegui mergulhar nos Escombros. Deixei uma mensagem lá para você, na esperança de que você a visse e soubesse que estou bem... Foi o máximo que consegui fazer. Por aqui ninguém usa telementores e não há acesso público para a Hiper-rede. Eles preferem a velha tecnologia de ondas, a qual nossos avós já aboliram e, portanto, não temos aparelhos.
Mas vou contar como isso aconteceu... Você me perguntou (com certo desespero por não ter respostas) quem era a pessoa que eu vi na rua, olhando para mim enquanto eu estava parado em frente à janela da pensão.
Na verdade, eram duas pessoas... Um homem alto e de cabelos muito claros, talvez brancos, ao lado de uma senhora de idade bastante avançada. Não vi direito os cabelos dela porque ela usava um chapéu grande para se proteger da claridade do sol.
Isso seria normal em qualquer parte do planeta, mas na ZR-71 a gente começa a ficar meio paranóico, sabe?... O homem olhava para cima e nossos olhos se cruzaram bem no instante em que ele apontava para a minha janela, como se indicasse alguma coisa. A senhora ergueu o rosto e lançou em mim um olhar muito profundo e cheio de lucidez. Mas ambos desviaram a atenção, meio assustados, quando perceberam que eu os encarava também.
Tomei um susto tão grande com aquelas figuras sinistras apontando para mim que a adrenalina disparou e afetou o telementor. Você sabe que isso acontece, às vezes, salvo o caso em que aquele alpinista – Jeff Higgins – conseguiu enviar uma mensagem para a família enquanto despencava do monte Everest. Suas últimas palavras foram emocionantes, mas até hoje os pesquisadores da Intel tentam descobrir como seu telementor continuou transmitindo até o impacto final.
Enfim! Desci correndo as escadas e, quando abri a porta da entrada da pensão, deparei-me com o entregador de pizzas, que barrou meu caminho. Eu não podia simplesmente empurrar o homem e ver mais de perto o estranho casal da rua. A pizza era para mim... Descobri que é a coisa menos exótica para se comer, por aqui. O serviço poderia ser melhor, mas aquilo que vem dentro da caixa de papelão engana bem o estômago.
Mesmo assim, olhei sobre os ombros do corpulento entregador e não vi mais os dois cidadãos suspeitos...
Nos dias seguintes, tudo o que fiz foi correr atrás de alguém que pudesse fazer meu telementor voltar a transmitir... Por tudo o que há de mais sagrado na Índia, não me pergunte como eu fiz esse aparelho voltar a funcionar... Combinados?
Depois disso, ninguém mais apareceu e desapareceu no ar por aqui. Acho que aquilo não foi nada. Se fosse a alfândega ou coisa parecida, já teriam me convocado para uma conversinha. O casal esquisito deveria ser apenas uma dupla de habitantes encantados com o estranho turista enjaulado. Por isso recomendo que você fique tranquilo e não pense mais em extradição.
E, por falar nisso, meu visto de permanência nesta Zona de Refúgio termina amanhã de manhã. Portanto, tive que tomar uma decisão muito séria sem (poder!) consultar você.
Esta é a segunda coisa importante que tenho para te dizer...
Nesse exato instante estou parado perto de uma floresta, na parte de trás da Lestrange & Malfoy corporation... Decidi que vou entrar e procurar o disco rígido onde estão armazenadas as informações do site harry.com.br.
O sol acaba de sumir no meio de uma neblina que sempre se vê perto do horizonte. Está começando a escurecer, e é então que vou aproveitar e entrar na construção abandonada.
Antes que você tenha um ataque, informo que uma pessoa da pensão me disse que para cá, perto da floresta, todas as construções são muito antigas e abandonadas. Assim, tecnicamente não estou invadindo propriedade particular, apenas explorando um sítio arqueológico em busca de artefatos que nos ajudem a compreender o que foi o fenômeno Hell-in.com.
Mais tranquilo? Eu sei que não... Mas fique calmo... Eu acabo de pular a cerca enferrujada e estou caminhando para o prédio de paredes escuras. Eu já havia visto um buraco nessa construção. Parece um desmoronamento, mas prefiro acreditar que ele foi usado para remover alguma máquina pesada dali de dentro.
Minha lanterna está revelando um salão amplo com muitas portas, e o chão está sujo de folhas secas, poeira e terra. O teto parece firme. Tem alguns armários, eu acho, perto das paredes. Tudo corroído.
Deixe-me ver uma coisa... Ah, sim! Achei algo que vai facilitar minha vida: conduítes nas paredes... Eles podem me indicar a direção onde há mais tomadas e, portanto, computadores velhos... Eu sabia que encontraria conduítes! Um prédio antigo como esse, que talvez tenha sido construído antes da invenção da transmissão de eletricidade, só poderia ter conduítes para suportar os equipamentos de um provedor. E eles não quebrariam as paredes quase medievais para embutir fios... Eu sabia que aquelas aulas de arquitetura do século XX não eram tão inúteis quanto pareciam. Conduítes! Passagem de fios! Que coisa arcaica!
Agora estou seguindo minhas pistas e atravessando vários corredores, indo cada vez mais para o fundo do prédio. A escuridão é absoluta, a não ser quando passo por algum vitral com imagens indescritíveis de seres mitológicos... Não mitologia grega ou egípcia, mas pagã, eu acho.
Os móveis estão todos aqui, meu caro orientador, e isso é perfeito! Significa que nada foi mexido e deve haver computadores lá embaixo!... Bom, isso deve indicar que tiveram que deixar o prédio sem olhar para trás, talvez por causa do vírus ou a invasão de refugiados europeus que veio para esta ZR.
Esse cheiro... Cheiro de coisa velha, que já passou de apodrecido há muito tempo, e agora é apenas um esqueleto de lembrança... Cheiro de coisa abandonada há séculos.
Desci uma longa escadaria e agora estou em um tipo de porão, eu acho. O teto é baixo, com quase dois metros de altura, apenas. Lagartixas albinas e centopéias ocasionais fogem dos meus passos, enquanto o caminho leva para uma porta isolada para onde correm os conduítes. A porta está aberta... Estourada seria o termo correto. Parece que um rinoceronte deu com os chifres nela.
Aqui dentro vejo prateleiras e racks com aparelhos eletrônicos. Temos dois gabinetes com HDs, “switches”, um belo roteador, um firewall... Vejo o modem e um provável otimizador de canal... É um provedor de Internet, meu amigo! Eu sabia!... Vejo também cabos de força, quadros de luz, um pequeno computador sobre uma mesa (certamente não é o que eu procuro), um computador de grande porte muito anterior à tecnologia do computador quântico e... E o que é isso?!?
Uau! Isso eu nunca estudei... Tem um tipo de altar de pedra em forma de taça. É feito de algum material tão preto quanto o vácuo do espaço, mas tem uma rachadura que quase o divide ao meio... Isso é sinistro!... Para que servia esse troço?... Há uma cavidade na parte superior que parece uma bacia. Dentro dela tem uma peça de metal retorcida, derretida talvez, de onde partem cabos de conexão... Esses cabos – bem queimados também, mas reconheço que são cabos para transmissão de linha telefônica – entram num dos HDs, o maior. É o servidor!
O servidor do harry.com.br, o berço da cyberanomalia que assolou o planeta em meados do século XXI... E eu sou o primeiro cidadão do novo mundo que vê isso. Fotos! Preciso de muitas fotos daqui!
Bom, meu caro, terei bastante trabalho por aqui. Tenho que retirar o HD e levar comigo para o nosso laboratório. Depois vou catalogar as coisas e tirar todas as fotos que puder... Só não sei como vou catalogar essa... Essa “pira”, talvez seja esse o nome. Essa coisa enorme e feita de pedra preta... Acho que isso nunca foi descrito pela academia, antes... O professor Minorkles vai adorar saber que algo assim, desconhecido, ainda existe. Pena que é pesado demais para eu levar embora.
Bom, tem alguma coisa talhada na pedra, aqui do lado. Parece uma inscrição... Se eu jogar a luz de lado, assim...
HD-LV... Está escrito HD-LV nessa coisa. Eu o batizo de objeto HD-LV.
A gente se encontra na Universidade amanhã para um almoço, se meu voo não atrasar ou eu não ser pego por algum fantasma aqui dentro... Brincadeira!
Ichindravna Padmukula
22 de março de 2601
===============end===================hand telementor - wherever you want===============
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